10 novembro 2014

# Ai amor...

Ai amor, este bichinho que nos coroe a alma. Que por vezes nos deixa cegos de tanta paixão. Que enlouquece até os mais sensatos. Que leva-nos ao desespero e a euforia, ~ao céu e ao inferno~.  Ai amor feres a carne como navalha e alimenta o corpo que tem sede de ti....

Francini Soares



Amor à VistaEntras como um punhal 
até à minha vida. 
Rasgas de estrelas e de sal 
a carne da ferida. 

Instala-te nas minas. 
Dinamita e devora. 
Porque quem assassinas 
é um monstro de lágrimas que adora. 

Dá-me um beijo ou a morte. 
Anda. Avança. 
Deixa lá a esperança 
para quem a suporte. 

Mas o mar e os montes... 
isso, sim. 
Não te amedrontes. 
Atira-os sobre mim. 

Atira-os de espada. 
Porque ficas vencida 
ou desta minha vida 
não fica nada. 

Mar e montes teus beijos, meu amor, 
sobre os meus férreos dentes. 
Mar e montes esperados com terror 
de que te ausentes. 

Mar e montes teus beijos, meu amor!... 

Fernando Echevarría, in “Poesia 1956-1979”